Orientações Estratégicas 2013-2016

Orientações Estratégicas 2013-2016

Importa reconhecer que a "crise financeira" que atinge Portugal, não podia deixar de afetar o Departamento de Urbanismo, com particular impacto ao nível do número de candidatos aos diferentes ciclos de estudo, assim como relativamente à redução dos apoios à investigação e à diminuição de contratos de prestação de serviços por parte de entidades públicas e privadas. Neste sentido a Universidade tem vindo a tomar medidas que visam reduzir o impacto desta situação abrangendo naturalmente o nosso Departamento. Não sendo previsível o regresso à estabilidade económica e social, as presentes orientações estratégicas situam-se num contexto de retração pelo que as linhas orientadoras procuram centrar-se em ações mais de melhoramento do desempenho e menos de crescimento.

A área do Urbanismo existe na ULHT desde a sua fundação em 1991, ainda no quadro do antigo ISMAG, tendo juntamente com as áreas de Ciência Politica, Informática e Matemática constituído o núcleo fundador daquela que atualmente é a maior Universidade Privada do país. Desde essa data que o ensino e a investigação na área do Urbanismo têm ocupado um lugar central no seio da ULHT pelo facto de se reconhecer que se trata de uma área da maior importância para o País. Na verdade e lamentavelmente, a ULHT é ainda a única universidade em Portugal que assegura o ensino específico do Urbanismo em nos três ciclos de estudo previstos na reforma de Bolonha: Licenciatura, Mestrado e Doutoramento além do CET em Urbanismo e Ordenamento do Território

Para esta situação contribui certamente o facto de o Urbanismo continuar a ser área sobre a qual existe um enorme desconhecimento, agravado pela confusão mantida em particular com a Arquitectura, contrariando inclusive as orientações europeias sobre esta matéria.

A afirmação desta área do conhecimento tem sido particularmente difícil, por força dos interesses imobiliários a quem não interessam procedimentos transparentes e foi agravada pela criação da Ordem dos Arquitetos a qual centrou durante anos a atenção dos mais jovens  na formação em Arquitetura. Este processo que agora está em declínio resultou na formação de 16.000 arquitetos (apenas os inscritos na AO) dos quais mais de metade está desempregada e mais 4.000 com salários na ordem dos 5 €/hora ou efetuando estágios não remunerados. Atualmente estão inscritos nos 19 cursos de arquitetura cerca de 7.000 alunos facto que irá agravar a situação dos diplomados.

Mas por outro lado assiste-se actualmente a uma maior consciência social sobre o caos urbanístico que cobre o país pondo em evidência a necessidade de maior qualificação dos recursos humanos atuando nesta área quer a nível autárquico quer central.

A criação da Comissão Instaladora da Ordem dos Urbanistas [Associação Profissional dos Urbanistas Portugueses (ULHT), Associação dos Urbanistas Portugueses (Instituto Superior Técnico) e Associação Portuguesa dos Planeadores do Território APPLA (Universidade de Aveiro)] tem por isso recebido a maior atenção por parte do departamento o qual tem fornecido documentação e estudos e acolhido e participado em colaboração com a APROURB em todas as reuniões de coordenação e na Assembleia da República

Estes dois factos, maior consciência social do papel do urbanismo e criação da ordem dos Urbanistas Portugueses, permitem pensar que nos próximos anos a situação do ensino do Urbanismo será mais favorável e que a ULHT ocupará um lugar de relevo nesse processo.

Importa também referir que o pouco investimento do sistema de ensino universitário português público e privado nesta área do conhecimento contraria a situação em termos europeus onde o ensino e a investigação nesta área tem vindo a desenvolver-se de forma consistente. A reforma de Bolonha foi aliás impulsionadora de programas de estudo em Urbanismo e Ordenamento do Território, seguindo a tradição anglo-saxónica neste domínio em particular ao nível de 1º ciclo (Bachelor). É exactamente a este nível que as maiores dificuldades se encontram no nosso País pois são entendidos, erradamente, pelas Ordens profissionais e outras associações profissionais como concorrentes relativamente às formações tradicionais de Geografia, Arquitectura, Engenharia Civil Paisagismo e outras.

Linhas estratégicas do departamento

Neste contexto e relativamente ao futuro, o Conselho Científico do Departamento definiu as seguintes linhas estratégicas que deverão ser implementadas em harmonia e de forma transparente e colaborativa com as Unidades Orgânicas da Universidade, Unidades e Centros de Investigação e demais serviços da Universidade.

São três as principais linhas estratégicas do departamento:

Reconhecimento legal da Profissão de Urbanista

Diversificação dos modelos de formação em urbanismo

Consolidação e desenvolvimento da internacionalização do Departamento

Reconhecimento legal da Profissão de Urbanista

O Departamento está consciente de que a regulamentação da profissão de Urbanista é essencial para o seu desenvolvimento. Neste sentido torna-se necessário prosseguir e reforçar a sua intervenção a nível nacional visando a criação da Ordem dos Urbanistas Portugueses (OUP) atuando em apoio à Comissão Instaladora, participando na liderança do processo em curso na Assembleia da Republica, reuniões com Grupos Parlamentares, intervenção nos meios de comunicação etc. Neste quadro importa em particular aumentar a participação do Departamento nas reuniões da AESOP e de outras organizações internacionais para o desenvolvimento do Ensino e Investigação na área do urbanismo.

Diversificação dos modelos de formação em urbanismo

Os cursos atualmente em funcionamento 1º, 2º, 3º ciclo e CET correspondem efetivamente a necessidades sociais evidentes e devem em tudo o que for possível ser monitorizados e melhorados. (corpo docente, instalações, recursos tecnológicos, conteúdos programáticos etc.) Paralelamente deverá ser criada uma nova área de atuação relativa a cursos de extensão universitária, formação ao longo da vida e de especialização de curta e média duração.

Consolidação e desenvolvimento da internacionalização do Departamento

A nível do corpo docente

A internacionalização deverá ser objeto de uma atenção particular prosseguindo e melhorando as orientações já traçadas. Assim devem continuar a ser contratados no estrangeiro professores doutorados de forma a manter um rácio relativamente aos nacionais de 50%. Deverá ser alargado os países de origem, em particular aos europeus, já que atualmente estas contratações são feitas sobretudo no Brasil e nos EUA. Para além dos professores estrangeiros visitantes regulares deverá ser política do Departamento o convite de conferencistas para atuarem no âmbito do programa Urban_Temas.

A nível do corpo discente

Relativamente aos alunos deverá ser reforçado o envolvimento do Departamento com os programas de mobilidade estabelecendo novos protocolos e aproveitando melhor os programas e protocolos já existentes. Na medida em que as viagens de estudo temáticas anuais do Departamento ao estrangeiro têm sido reconhecidas como da maior utilidade pedagógica e científica importa reforçar estas atividades criando vagas para alunos e docentes de outras Unidades Orgânicas.

A nível da Investigação científica

A investigação em meio universitário é realizada essencialmente no âmbito dos projetos executados no Programa de Mestrado  e sobretudo no Programa de Doutoramento).

Importa pois reforçar todas as medidas que contribuem para o bom funcionamento dos projectos de investigação realizados no quadro das Dissertações e Teses continuando a organizar os seminários de investigação e as visitas de estudos.

As redes internacionais estabelecidas que sustentaram projectos de investigação com financiamento exterior realizados pelo Departamento deverão ser mantidas, em simultâneo com as novas redes que sustentaram as candidaturas ao FP7 e à ESF efetuadas anteriormente.

Outras medidas

Deverá ser dada atenção a outras ações visando melhorar o desempenho de outras áreas de atividade:

·         Reforçar as ações de sensibilização à investigação para os alunos de 1º Ciclo

·         Desenvolver a política editorial melhorando a Revista Malha Urbana (alargamento do Conselho de Redação, registo noutras redes internacional de revistas Científicas) e iniciar a publicação impressa de dissertações e teses devidamente selecionadas.

·         O servidor de mapas deverá ser objeto de maior atenção de forma a disponibilizar um maior número de documentos.

·         A prestação de serviços ao exterior deverá continuar, sendo de organizar junto das Câmaras municipais uma campanha de divulgação dos serviços que o Centro de Investigação em Sociourbanismo (CRSU) pode efetuar.

·         O Centro de Investigação em Sociourbanismo (CRSU) deverá participar em concursos nacionais e internacionais no domínio do Urbanismo.

·        O Centro de Investigação em Sociourbanismo (CRSU) deverá igualmente  promover uma melhor articulação entre ensino e a elaboração de estudos e propostas para a Área Metropolitana de Lisboa.

·         Reforçar a divulgação da oferta formativa